Cobra Kai

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Disclaimer – O Karate Kid original (e as duas sequelas, menos aquele sucedâneo morno com a Hilary Swank e nada aquele remake desnecessário com o filho do Will Smith e o Jackie Chan) é dos meus filmes preferidos (o que é, obviamente, diferente de “dos melhores filmes de sempre). Está no top 10 dos filmes que já revi mais vezes e raramente passam muitos vezes sem o revisitar. É perfeito.

Por tudo isto, foi com aquele misto de entusiasmo e medo que me mandei a este Cobra Kai, série de 10 episódios de meia hora que mais de trinta anos depois continua a história de Daniel Larusso e o seu rival Johnny Lawrence, com os actores originais (Ralph Macchio e William Zabka) a voltarem.

Tinha tudo para correr mal, tinha alta probabilidade de ser foleiro e tosco. Não é uma série revolucionária que vai ser revista e falada durante décadas, mas é bem melhor do que deveria ser. Nota-se que os responsáveis por isto são fãs do original e tudo é tratado com o carinho e o tom certos. É “cheesy” qb, como era o original, a evolução das personagens jovem (sobretudo Miguel, o simpático nerd latino que pede para aprender Karate com Johnny Lawrence) é surpreendentemente interessante em termos narrativos e voltar a ver Daniel Larusso e Johnny Lawrence a interagir – havendo ainda diversos flashbacks do original para aquecer o coração – é um deleite.

Numa era em que se descobriu que a nostalgia vale o seu peso em ouro e todas as IP (intelectual properties) recebem remakes e reboots e re-imaginações, ainda bem que este Cobra Kai calhou para o lado do bom gosto e boa execução do espectro.

Dez episódios no Youtube, os dois primeiros grátis e os restantes a 2.49 euros cada.

8/10

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La Casa de Papel

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Vamos lá ver. Há aí gente a dizer que a Casa de Papel (Netflix, 18 episódios de 45 minutos e espanhola) é a melhor cena de sempre (não é) e há aí uns outros a dizer que é incrivelmente overrated (também não acho).

A série é ridícula. É rocambolesca e absurda e cheia de coincidências daquelas que deixam os hiper-realistas irritados. É estapafúrdia. Mas é tudo isso da maneira fixe e viciante que as melhores seasons de 24 e de Prison Break eram.

Contando um ambicioso (ligeiramente vá) assalto à Casa da Moeda espanhola, a série conta com um excelente casamento de interessantes personagens com belíssimas interpretações, quando em mãos erradas poderia ser fácil perdemo-nos e confundir os vários peões da trama, coisa que nunca acontece aqui. É também soberbamente filmada e fotografada, competindo nesse campo com a competência de qualquer série americana de topo.

Como sempre, não vou entrar aqui no campo dos spoilers mas fica a recomendação de uma aventura que pode não enriquecer a alma mas caramba que é divertida de seguir.

8/10

Para quem gostou de – 24 / Prison Break / Inside Man

Ready Player One

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Preâmbulo  – comprei o Ready Player One (o livro) há uns seis anos, baseado numa única review positiva de um site que confio. Apesar de o receber na véspera da minha primeira ida aos EUA, devorei-o em poucos dias mesmo com tudo o que queria ver e descobrir do país que me formou culturalmente. Com pausas para investigar algumas das principais referências no livro (saquei e vi o War Games num airbnb em nova york e por completo acaso (ou não) joguei Galaga numa arcada clássica em Santa Monica, Ca dois dias depois de terminar a aventura) foi uma das melhores experiências de leitura que já tive (o que, ressalve-se, é bastante diferente de dizer que foi dos melhores livros que já li). Desde então já recomendei/forcei/impingi a minha cópia original a vários amigos – ao ponto de mal saber onde ele está neste momento – e (quase) todos deliraram com a aventura mais nerd da literatura moderna.

Posto isto, o filme. Era o realizador que a maioria dos leitores sonhava para adaptar esta história, o mais influente cineasta das gerações afetadas pelo livro. Ao contrário do que acontece geralmente com estas wish-lists, aconteceu mesmo – foi Spielberg a pegar nisto. Ao fazê-lo, tomou a decisão de manter a ideia e estrutura da obra original e na prática mudar quase todos os detalhes que a compõem. Não é uma adaptação totalmente fiel, mas provavelmente nunca o poderia ser.

Há poucos – quase nenhuns – filmes maus do Spielberg. O que tem havido muito pouco ultimamente são filmes divertidos do Spielberg, daqueles de doer a bochecha nos créditos de ter passado duas horas de sorriso posto. Ready Player One é um pouquito de ambos. Atenção, não é “mau”, mas é dos mais fracos do realizador a nível de personagens, emoções humanas genuínas e, de certa forma, “Alma”. Por outro lado, é divertido pra caralho. Entre a cena da corrida inicial, a cena do Shinning e a batalha gigante final, há vários momentos wow filmados por uma das pessoas da história da arte com mais capacidade para o fazer.

Não é bom, mas é fixe. E Spielberg fixe vale sempre o bilhete.

6.5 / 10

Para quem gostou de – Ready Player One (o livro) (duh) / ver o All Star Game da NBA

1986

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Nunca em Portugal tivemos uma série assim – uma série assumidamente de autor (Nuno Markl) e feita com este carinho e boas intenções e ao mesmo tempo com tanta boa vontade prévia de tanta gente entusiasmada com a sua chegada. A ideia de ter os eventos a acontecer paralelamente à corrida presidencial de 1986 e culminando com o dia da eleição no último episódio da temporada (13 episódios de 45ish minutos, transmitidos semanalmente na RTP mas já todos disponíveis na RTP Play online) é boa e no geral funciona (ainda que alguns eventos típicos de sitcom – como o episódio da bomba – sejam um bocadinho toscos).

Quanto a elenco e personagens acontece o inverso da norma em televisão – o núcleo jovem, foco principal da série, é competente e as personagens interessantes – em especial Tiago e Marta (Miguel Moura e Silva e Laura Dutra, excelente esta última). Por outro lado, a parte adulta da série é exasperante, sobretudo os dois pais das personagens que ainda agora elogiei. Unidimenssionais no papel e revisteiros na interpretação, passam grande parte dos episódios – ambos – a gritar, reclamar e no geral a serem mal educados e pouco civilizados, chegando a dar vontade de simplesmente avançar as cenas em que entram. Entre os crescidos, salva-se a Ana Bola (porque Ana Bola) e os dois professores (Teresa Tavares e Simon Frankel).

Pontos ainda a excelente banda sonora – tanto os clássicos da época como as composições originais para a série e a direção de arte que recria a era de 1986 com engenho e carinho.

Depois de consumir os treze episódios em cerca de dois dias e meio, dei por mim nostálgico e com saudades daquele universo em que tinha vivido brevemente, pelo que é uma viagem que recomendo.

Para quem gostou de – Breakfast Club (e qualquer filme do John Hughes), ter vivido nos anos 80.

7/10

Barry

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Escrito, realizado, interpretado e produzido por Bill Hader, “Barry” é – duh – um projecto pessoal do ex integrante do Saturday Night Live. Com apenas um episódio ainda no ar, é cedo para ter certeza se cumprirá as promessas do piloto que conta a história de um competente assassino profissional que se apaixona pelas artes dramáticas quando entra numa aula de interpretação.

A primeira impressão é que pode vir a ser uma coisa engraçada, fofa e diferente (no bom sentido da palavra), sobretudo com o elenco secundário interessante – Henry Winkler rouba as cenas como o professor de acting e espero que a D’Arcy Carden (a Janet de The Good Place!) volte nos próximos episódios e lhe deem mais que fazer.

Vale a pena checkar.

Para quem gostou de The Skeleton Twins / Silicon Valley

7/10

Game Night

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Há filmes que são parvos e não são engraçados, há filmes que são engraçados sem serem parvos e depois há filmes como este Game Night, que é parvo e engraçado ao mesmo tempo. Com (co-) realização de John Frances Daley (o Sam Weir de Freaks & Geeks [sentem-se velhos?]), Game Night é daquelas comédias que vai ficando mais estapafúrdia a cada cena que passa mas com suficientes momentos e piadas para ir aguentando, sobretudo pelo elenco de gente fixe – Jason Bateman, Rachel McAdams, Kyle Chandler (Coach Taylor!) e sobretudo a Sharon Horgan, que já era óptima no Catastrophe criado por ela e aqui rouba quase todas as cenas.

O segredo, como quase sempre, é ir de expectativas moderadas para esta história de uma noite de jogos que descamba rapidamente.

Para quem gostou de – Horrible Bosses, Rough Night ou We’re the Millers

6.5/10

(PS – estreia em Portugal marcada para 19 de Abril)